quinta-feira, 23 de setembro de 2010

[Opinião Pessoal] - O metrô e suas escolhas pessoais

Este é só um desabafo do que pensei durante anteontem e ontem. Nada tem a ver com o blog. Nem leia se não estiver a fim.


Na manhã desta terça-feira em São Paulo ocorreu uma pane na linha vermelha do metrô, algo que nenhum ser vivo espera acontecer. Não espera porque nunca esperamos que algo aconteça fora do nosso cotidiano, da obviedade do dia-a-dia, do esquema padrão ao qual estamos acostumados.

O desligamento que ocorreu nada tem de bom no sentido prático da coisa: atrasou a vida de todo trabalhador que depende da linha subterrânea para chegar ao serviço, de todo estudante que precisa chegar na faculdade ou na escola, de todos que precisavam chegar a algum lugar específico em um determinado horário mas foi impedido em razão de um problema "desconhecido" desenrolado por algum outro desconhecido. Particularmente também sofri com esse problema, mesmo que num horário menos movimentado. (Cheguei ao trabalho bem espremidinha, cheirando a perfume barato de outras pessoas, hahaha. Enfim...)

Entretanto, por que tanto rebuliço com uma coisa que aparentemente só fez o seu dia ser... mais marcante? Não é verdade que as pessoas reclamam que os dias passam rapidamente e ninguém se lembra do que comeu no café da manhã? Bom, certamente desse dia muita gente se lembrará por um bom tempo. Se lembrará de como foi sofrido conseguir chegar ao trabalho e (essa é a parte mais importante) de quanto ficamos automatizados nas tarefas diárias do dia-a-dia do cotidiano.

Oras, afinal, qual o motivo de toda essa correria? Reclamar para acordar cedo, levantar, tomar café correndo, ir trabalhar, chegar atrasado, trampar igual um condenado, voltar para casa, jantar, dormir, acordar.... Qual o objetivo de tudo isso? Dinheiro? Dinheiro para poder gastar? Dinheiro para poder gastar com obrigação social? Bom, independentemente do seu "objetivo pessoal" com tudo isso, estamos fatalmente fadados a um não-objetivo muito maior que nos engloba e que nem ao mesmo paramos para ter uma leve noção do que estamos fazendo. Que objetivo é (ou nao é) esse? Sei lá, eu também não sei; só sei que o dia-a-dia nos contagia com a ideia de que precisamos trabalhar para cumprir com nossa tarefa social e não ficar de fora do mundo; para ser alguém no mundo. Oras, é o que eu faço que me define no mundo? Aliás, preciso ser alguém no mundo? Não posso ser só alguém para mim mesma? Ou simplesmente ser alguém? Ou então somente ser? Ou até mesmo... não ser? (argh, viajei...)

A quantidade de coisas às quais nos obrigamos a fazer, por qualquer motivo que seja, necessariamente acabam nos automatizando e nos fazendo aceitar a ideia de que, se sairmos dessa rotina, será algo ruim. Ou seja, atrasar para chegar no serviço ou não conseguir tomar o café da manhã direito porque alguma coisa DIFERENTE DO CONVENCIONAL interferiu minha rotina, quebrou meu roteiro diário, destruiu a trilha que eu sempre construo e sigo todas as manhãs, é ruim. Oh! E agora?!

Oras, você é uma formiguinha operária que perde os sentidos quando alguém lhe tira o rastro da frente? Você se perde porque perdeu o referencial? Que tipo de referencial você toma na sua vida? As formigas têm o seu valor, extremamente eficientes e esforçadas que são. Trabalho é a vida delas. Se sairem da rotina, não sabem o que fazer. E você, é assim também?

Não vejo problemas em pessoas que acham que viver a vida assim é a maneira correta de se viver e, com isso, evitar problemas. Nascer, crescer, aprender, estudar, trabalhar, juntar dinheiro, casar, ter filhos, ganhar aposentadoria, ter segurança... Um ciclo de vida que parece ser o ideal para viver tranquilo e sem problemas. Bom, não sei, acho que não é bem o que quero para mim. Parece-me um pouco frustrante pensar que essa é a maneira "correta" de se viver.

Voltando ao assunto do metrô... compreende-se que pessoas tenham ficado putas da vida com o que aconteceu, e que tinham que passar por isso. Ninguém quer passar por isso logicamente! Então é compreensível o nervosismo e a raiva que assume lugar no momento de tensão. Quebrar as janelas, sair de qualquer maneira, é compreensível também para conseguir respirar. Eu faria o mesmo. Contudo, uma coisa que me encuca é as pessoas se irritarem tanto com o fato de não conseguirem chegar ao trabalho porque o metrô parou. Oras, isso todo mundo vai compreender porque não é sua culpa. Agora, é engraçado pensar "que diferença fará ficar nervosão, xingar meio mundo, destruir janelas e portas do transporte público, se machucar... e de qualquer maneira não chegar no trabalho a tempo?". Logicamente é inaceitável que um problema no sistema de metrô tenha que atingir tantas pessoas, tantas manhãs de trabalho e estudo perdidas. Mas não sei se chega a ser motivo bastante para precisar gastar energia se você pode simplesmente parar, pensar e escolher pegar um busão ou um táxi, ou ligar pro trampo e falar que não vai ou então esperar o metrô começar a funcionar novamente.

Aceitar mudanças é sempre algo difícil para as pessoas, ainda mais quando são mudanças bruscas e com causas exteriores (ou seja, que não fomos nós que escolhemos). No caso do metrô, foi um evento que mudou a manhã de uma puta galera trabalhadora. E aqui aponto duas coisas que podem ser importantes:

- dar valor ao que passa despercebido todos os dias, porque você só percebe quando aquilo não está mais lá;

- perceber que sua automatização diária te cega e te faz perder o rumo, apesar de você achar que está tomando um.

Peço desculpas pelo post chato, foi só um desabafo para poder organizar minhas ideias. Mas obrigada a quem leu! :)

12 comentários:

Mattheus disse...

tudo que disse é verdade

por isso acho que voce tem que fazer algo que gosta se voce quer uma faculdade faça de algo que ame porque se é pra perder a vida perca com prazer.

as vezes sinto falta de quanto tinha 6 anos e achava que 100 reais era muita coisa ai um dia eu virei e pensei se 100 é muito imagina 1000 um milhao, bilhoes, foi ai que perdi minha infancia e comecei a me preocupar com coisas "futeis" como o dinheiro

Carlos disse...

Não se preocupe em estar "viajando".
Poucas pessoas teriam esta capacidade de expressar tais idéias com tanta clareza. Conheço pessoas que também pensam assim, mas não conseguem explicar. As "formigas" seguem automatizadas, como se buscassem avidamente um objetivo; mas não sabem quais são seus objetivos.
Enquanto isto, algumas cigarras cantam na chuva. Como conseguem?

Michael disse...

As pessoas estão tão acostumadas com as suas rotinas e ficam tão nervosas com essas mudanças repentinas, que realmente não se dão conta de que as suas atitudes podem ser prejudiciais a si mesmas e que poderiam aproveitar o tempo para encontrar uma solução, como por exemplo: o seu computador fica lento, você fica com raiva e o quebra: Agora como vai terminar o que estava fazendo? Não seria mais fácil arrumar uma solução?
O jeito é você botar a cabeça no lugar, pensar bem, observar bem e não seguir os outros, porque eles não sabem aonde vão!

NRM disse...

Não sei o q comentar não sobre o seu pot-desabafo, 바보, só me senti na obrigação de comentar...

Hum... deixa pra lá... comentário não é lugar para viajar em pensamentos... deixo isso para outra oportunidade ^^

Vanessa disse...

Concordo com vc... e eu gosto de posts desabafo hahaha
Eu tenho uma "filosofia", que é a de que se acontece coisa fora do meu controle, é porque era pra acontecer :P Antes eu era um pouco mais estressadinha, mas agora eu aproveito congestionamento e tudo o mais pra ouvir música numa boa, pra pensar na vida...
Eu não gosto de rotina, quando eu fiquei de DP agora pra esse semestre, duas matérias tenho que fazer de manhã (em compensação, 5ª feira saio mais cedo da facul), eu até comentei com a minha mãe "nossa, mãe, tá certo que eu não gosto de ter que dormir mais cedo, ter as mesmas aulas e tudo o mais, mas sabe que eu até que to gostando? Por que tá quebrando a rotina, antes era todo dia sair a mesma hora de casa, um dia ou outro eu devia me atrasar de propósito só pra mudar um pouco, mas agora eu vario".
Meu comentário vai ficar do tamanho de um post daqui a pouco hahaha Espero agora que vc tenha paciência pra ler xD (ou pode ignorar mesmo :D)
Sei lá, eu gosto de viajar, filosofar, de pensamentos abstratos e tento fazer algo de diferente durante o dia; esse deve ser um dos motivos de eu adorar aprender algumas línguas: a aula tá um saco? Abro minha agenda, que tem minhas anotações de coreano, e vou lá decorar alguma coisa hahaha
Enfim, mudei um pouco o assunto, mas só pra fechar aqui pra eu não falar (muito) de mim mesma xD, acho que me ajuda também o fato de eu me empolgar facilmente com as coisas, então, sei lá, eu volto pra casa e vejo a gatinha que tem aqui no vizinho e já fico mais feliz.
Aceitar mudanças acredito que seja difícil pra todo mundo, mas em menor escala pra alguns; acho que eu faço parte desses alguns (claro que algumas coisas são mais difíceis de aceitar), mas eu já passei por várias mudanças durante a vida, então eu tento aproveitar o que vem de bom.
Ok, é isso, falei demais xD

Anônimo disse...

Ola, meu nome é Elizângela, encontrei seu blog pelo google quando buscava por sites de ensino da lingua coreana. Estou gostando bastante do material disponibilizado, tá ajudando bastante.

Não posso deixar de comentar nesse post, porque simplesmente você tocou no ponto chave dos meus questionamentos, o sentido da vida. Cansei de perguntar muitas vezes aos meus pais ou pessoas mais velhas o sentido da vida deles e pelo que eles lutavam, e a resposta basicamente trata de sobrevivência. Ganhar dinheiro para sobreviver.
Não gosto mais de explorar esse assunto a fundo porque fico deprimida, mas depois de muito insistir nesse tema, de que não era justo lutar uma vida inteira somente para sobreviver, cheguei a conclusão de que a automatização do dia a dia me faz bem, por desviar a atenção de pensamentos como: para que trabalhar? e coisa e tal... Gosto do meu trabalho por causa dos amigos que consegui por lá, e prefiro não pensar no resto (é o que coloquei na cabeça, apesar de não ter coragem de falar em voz alta kkkk gosto mesmo? será?).
Isso é exatamente o que a sociedade faz e necessita para o mundo se movimentar, então preferi não nadar contra a correnteza e agir como uma formiga, porque é onde estou mais confortável.
Mas, é claro que nenhum conforto desse tipo dura para sempre, fingir que nada de mais está acontecendo, mas ajuda por um tempo e me empurra um pouco para frente.

Vanessa disse...

Elizângela, entendo o que vc quer dizer; eu também acabo gostando mais de um lugar por causa das amizades, como um meio de não me encher do lugar, porque, afinal, tem lugar que eu tenho que ir, e se eu não achar algo pra me animar, fica um horror.
*post pequenininho e meio inútil, mas deu vontade de postar*

Anônimo disse...

É verdade Vanessa, e nada melhor do que os amigos e os bons momentos com eles pra colocarem sentido nas coisas.

by elizangela

Jo Nakashima disse...

Também não é pra mim essa maneira "correta" de viver da maioria das pessoas, por isso larguei dessa vida de formiguinha :)
Quando me demití, percebí que muita gente pensa que o formiguinha lifestyle é a única forma correta de viver. Fazer algo diferente causou estranheza, parecia que eu estava fazendo algo errado.

Miriam disse...

Faz uns dias que estou ensaiando para aprender coreano...
Comecei pelo alfabeto, porque quero aprender rapidamente ler e pelo menos tentar entender, mas tudo me tira atenção!!! ehehhe Seu post me tirou a atenção e me remeteu a um livro que li nas férias, chado DEVAGAR..Muito legal o livro..
Grande abraço!!

Anônimo disse...

Tens mesmo razão concordo com tudo o que que escreveste.
Ás vezes paramos e pensamos,porque é que temos que ir pra escola?
para sermos alguém? & depois pensamos no futuro depois de tanto estudar vamos ter os nossos filhos ,uma casa,um bom trabalho& talvez cheguemos a casar(se der), e depois?o que fazemos(?)
A vida por vezes não faz sentido.
Uma vez perguntei a minha mãe se a vida fazia sentido e toquei nos aspectos que falaste no poste...e ela não me soube responder...
Acho que se não tivermos coisas que nos distraiam, a nossa vida fica muito monótona ...
Tenta fazer outras coisas,tenta mudar o teu dia,faz coisas diferentes para que a tua vida mude. por exemplo:vai á igreja,reza,agradeça a Deus por mais um dia de vida,vai ao cinema,come um gelado,saia com os seus amigos,vai ás compras,crie um blog pessoal,desabafa com alguém em quem confies,tenta muda a sua rotina ,tente encontrar o teu caminho.
Espero ter ajudado,beijinhos*

mina

Uchiha Itachi Daniele disse...

O filme Monty python- o sentido da vida fala disso,recomendo,é uma crítica maravilhosa ao nosso estilo formiga.Ele faz críticas a guerra,luxúria,morte e o final é o melhor.O sentido da vida:Nõa beber e fumar demais,controlar seu colesterol,ler um bom livro de vez em quando e tentar ser cortês com todos a sua volta inclusive consigo mesmo.